Uma jornalista, cabeça a mil. Vontade de debater o mundo que me rodeia, comentar o dia-a-dia, trocar ideias livremente. A busca por um espaço democrático onde pudesse exercer minha criatividade e mostrar minha visão da vida resultou em "Crônicas de Saias".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nunca falei aqui da minha paixão por Nando Reis e sua obra. Para mim, um poeta dos dias de hoje. Já não temos Cazuza, não temos Renato Russo, mas temos Nando. Cada um no seu quadrado.
Ninguém nega a precisão cirúrgica das palavras dele. Nunca ouviu? Não sabe o que está perdendo. Tem canções que não se encaixam, que não rimam, que parece que falam demais e ainda assim são certeiras. Tem um destino: o coração.
E nem adiante se armar com preconceito contra sua voz. É claro que prefiro suas canções cantadas por outros intérpretes: Cássia Eller (outro ídolo), Skank, Jota Quest, Titãs e por aí vai. Mas vcs sabem que já até acostumei com sua voz pequenininha?!... É o que há.
Tenho duas canções preferidas na vida: uma é dele, Os Cegos do Castelo. Uma declaração de amor modernosa, forte, cheia de personalidade.
Cada letra, uma história. Cada canção, um ritmo experimental. Coisas do dia-a-dia e detalhes que nos passam despercebidos. Sublime o poder da observação. Isso é Nando Reis.

Os Cegos do Castelo

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos Que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno Que me atraiu
Dos cegos do castelo Me despeço e vou
A pé até encontrar Um caminho, um lugar Pro que eu sou...
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos Me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver Venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar Foge o destino do azar Que restou...
E se você puder me olhar
Se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar...
Eu vou cuidar
Eu cuidarei dele
Eu vou cuidar... do seu jardim...
Eu vou cuidar
Eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar...
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim...

Sutilmente
(Com Samuel Rosa)

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti...
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti...


As coisas tão mais lindas
(Com Cássia Eller)

Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela e então eu me vi
Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar
E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Hoje você está
Onde você está
As coisas são mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas

2 comentários:

FELICIDADEetrist... disse...

Concordo com vc, Karla, em gênero, número, grau! O Nando é gênio!!!Amo! Adorei seu blog, seu texto!

karla rubia disse...

Oi, Felicidade. Valeu pela presença. Pinta aqui outras vezes!! Nando é tudo de bom mesmo.