Uma jornalista, cabeça a mil. Vontade de debater o mundo que me rodeia, comentar o dia-a-dia, trocar ideias livremente. A busca por um espaço democrático onde pudesse exercer minha criatividade e mostrar minha visão da vida resultou em "Crônicas de Saias".

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Meu Reveillon

Amanhã começa o meu Ano Novo. Abandono o misto de sentimentos q me envolveu nos últimos dias e aproveito a dádiva de recomeçar. Agradecer nunca é demais, apesar de qq coisa. Tô feliz. Que venha o Reveillón!!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Acabei “Um Dia”

Quando li a primeira vez sobre “Um Dia” não sabia exatamente o que me esperava. Debaixo de uma saraivada de elogios, o livro emergia como um romance como qq outro. Será isso tudo? “Um Dia” virou meu foco quando soube que tinha rendido um filme a estrear em agosto. Por si só, o livro já foi criado roteirizado, fato que só constatei depois de lê-lo.
Renata, minha amiga de sempre, me disse que tinha parado de ler para não chegar logo ao fim, tamanhas as delícias de encará-lo. Me despertou curiosidade. Vinte anos de duas vidas. E, confesso, que a partir daí, grudei nele. E ele grudou em mim.
No início, o livro parece meio bobo, quase infantil. Depois me dei conta que num período de 20 anos é fato que os personagens comecem bem jovens. E como jovens temos pensamentos meio infantis, fantasiosos, inconseqüentes. Depois da juventude também, devo dizer, que isso não muda muito. Sim, é verdade, mas nossa capacidade de distinguir a realidade do sonho cresce. Quando Em e Dex (o casal protagonista) chegam na minha fase de vida, me surpreendi com a riqueza de pensamentos, de quereres, de sensações descritas de uma forma tão próxima a mim que chegaram a me sufocar. Era eu. Era eu e os meus. Era eu, os meus e os meus sentimentos.
Há momentos na adolescência que realmente somos muito felizes. Talvez nunca sejamos como naquela época. Hoje, porém, esta felicidade acachapante dá lugar a tranqüilidade, a uma paz interior, a uma serenidade que não têm preço. Melhor ou pior? Não é fazer juízo de valor, é simplesmente saber que a vida acontece. E cada momento é um só. Cada um com seu brilho próprio.
Após dias totalmente ressacados por conta da sensibilidade e da maturidade impressas nas palavras de David Nichols (salve ele!), estou naquele estágio entre aliviada e triste. Acabei “Um dia” ontem. Numa madrugada fria e cheia de interrogações. Meus sentimentos são contraditários: alívio por ter terminado o romance de que mais tenho ouvido falar e que me causou sincera revolução nos pensamentos, mesmo eu não estando nos meus melhores dias para leitura; tristeza por ter sido surpreendida com o final escolhido por David Nichols. Entendi o porquê de ser apontado como o “Love Story” dos nossos tempos...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O amor

Indicada pela Dé, minha amiga querida, conheci o blog "A melhor das intenções", pilotado pelo Bruno Acioli. Falando sobre uma coluna q muito me interessou na semana passada, o cara dá banho em muito marmanjo que acha que sabe tudo da vida. Fiquei impressionada com a visão e a transparência do texto.
Enviei para uma outra amiga, que adora o tema, e ela discordou. Aliás, com argumentos bem interessantes também. Afinal, o amor tem que ser fácil, fluido, tranquilo ou é mesmo uma batalha diária, cheia de altos e baixos?
Fato é que cada um tem sua maneira de viver o amor. Valeu o debate.
Segue o texto.
Virei fã.

**

O amor é um buraco negro
03/07/2011

Li recentemente em um post na internet que o suposto amor decente é aquele que vem fácil, sem conflitos, sem intrigas, que nasce naturalmente, que agrega. O autor, um respeitado jornalista de um grande veículo brasileiro, apura as diferenças entre os sacrifícios que se faz em um romance nascido à duras penas, além das brigas e lutas que travam os que se amam, e os amores que acontecem e se sustentam por acaso. Sou fã desse cara e adorei o texto, mas tenho — como todos os amigos esperavam –, um contra-argumento. E aviso: amor é um buraco negro.
Em tempo, não sou o mais velho dos jornalistas, tampouco conheci todas as mulheres do mundo. Gostaria, mas não. De qualquer forma, observo, ouço, pergunto, vivo e compartilho experiências pessoais sobre o que é amar e estar em um relacionamento amoroso. Seja ele curto ou longo. E não é nada fácil, amigo.
Desde que me entendo por gente, tive facilidade para negociar com o sexo oposto. Diferente da maioria de meus amigos, mulheres nunca me assustaram. Isso, obviamente, tornara-se meu trunfo, com o passar dos anos. Em suma, nunca fiquei sozinho. Pelo contrário, estive sempre muito bem acompanhado. Mesmo assim, essa facilidade para atrair moças interessantes não pacificou os romances que vivi com cada uma. A princípio, compartilhávamos coisas boas, sentia o frio na barriga de todo começo de relacionamento e, por pressuposto, assim como o autor do texto sobre amores fáceis, acreditei que essa fosse a saída para o coração apaixonado. Mas, com o tempo, descobri que amar é alimentar o serial killer que existe dentro de você. Porque amor é exigente, é cobrador, apesar de sempre ou quase sempre ser iniciado de um esbarrão na escada do prédio, no elevador, de uma conversa despretenciosa na fila do banco. Alimentar um amor é, na maioria das vezes, viver de sacrifício. E onde existe sacrifício, existe expectativa. Não à toa, as pessoas mais interessantes tendem a morar em outros estados ou países. Ou são totalmente o nosso oposto. Vai dizer que você nunca se deparou com uma pessoa maravilhosa, mas que tinha um único defeito capaz de destruir todo aquele encanto? Olha o sacrifício aí. Até que ponto você iria por um amor? Pergunte-se isso. E quando esse ciclo não é satisfeito pelo objeto amado, o sujeito da oração é invadido por ondas e ondas de sentimentos conflitantes: ciúme, insegurança, a própria insatisfação, às vezes, ira.
Ora, acho ótimo que exista um ou mais cases de sucesso em que o amor é agente pacificador em um relacionamento, em que a cobrança é quase mínima ou que, como diz a música, o acaso proteja os pombinhos distraídos. Isso estimula, dá fé, mas aqui fora, na vida real, amar é lutar. É suar, é surpreender, é desgastar a mente, o corpo, a alma, se possível. Planos, sonhos, investimentos, bens materiais. Tudo para experimentar a adrenalina correndo nas veias que só um amor desses de cinema pode injetar.
Quando duas pessoas se amam e encontram obstáculos, os sacrifícios vêm aos montes. Por que você acha que Romeu e Julieta são o casal mais famoso da literatura mundial? Porque eles representam a guerra por amor. A proibição das famílias, a dificuldade de manter um caso que, até então, era considerado como errado. Mais além, recorde a letra de Eduardo e Mônica. Imagine o que ambos passariam — se a história fosse real –, para ficarem juntos. Quantas diferenças não teriam que relevar, quantas complicações e atritos? E, adivinhe só, existem milhares de Eduardos e Mônicas por aí, que relevam, diariamente, dúzias de características por um bem comum: o amor. Diamante bruto que precisa ser lapidado pela tolerância, paciência, argumentação e outras necessidades básicas que sim, tornam-se sacrifícios quando se trata de uma terceira pessoa. Penso que esse amor tranquilo que todos curtem, que todos querem, é muito lindo, mas utópico. Também gostaria de uma relação em que eu não precisasse abrir mão de meus planos pessoais, meus trejeitos, meus mimos e mesmo assim, ainda ter a mulher que amo ao meu lado. Entretanto, lutar e batalhar por cada pessoa que imagino merecer meu amor e por quem nutro um sentimento mínimo de carinho sequer, me torna cada vez mais maduro e consciente, corajoso e crente nas coisas boas que o ser humano pode oferecer. Amor sofrido é resistente. Amor combatente é merecedor. Se alimenta de esperança, de esforço, de lágrima, de trabalho em equipe.
O buraco negro, assim como esse amor que vos falo, é , segundo os astrônomos, um fenômeno intrigante e avassalador, mas não deixa de ser um espetáculo bonito e necessário para a continuação do universo e, nesse caso, da vida a dois.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Quatro anos

Há quatro anos exatamente nascia o Crônicas de Saias. Tinha outra configuração, uma outra cara, outra proposta. Mudou neste período. E que bom que as coisas sejam assim: mutáveis. Cada dia fico mais feliz em ter estabelecido este espaço como meu, na grande rede. Foi o primeiro passo em direção aos textos próprios, a exposição de um pouco do q anda por esta cabeça, que embora às vezes pareça meio oca tem é muito o que pensar. E tem pensado.
Quero agradecer aos meus 10 leitores por este tempo de paciência. E de parceria. De presente, para mim e para vcs, em breve rola um novo lay out.
Aguardem!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sorte e escolhas bem feitas

(de Martha Medeiros)

Pessoas consideradas inteligentes dizem que a felicidade é uma idiotice, que pessoas felizes não se deprimem, não têm vida interior, não questionam nada, são uns bobos alegres, enfim, que a felicidade anestesia o cérebro.

Eu acho justamente o contrário: cultivar a infelicidade é que é uma burrice. O que não falta nessa vida é gente sofrendo pelos mais diversos motivos: ganham mal, não têm um amor, padecem de alguma doença, sei lá, cada um sabe o que lhe dói.

Todos trazem uns machucados de estimação, você e eu inclusive. No que me diz respeito, dedico a meus machucados um bom tempo de reflexão, mas não vou fechar a cara, entornar uma garrafa de uísque e me considerar uma grande intelectual só porque reflito sobre a miséria humana. Eu reflito sobre a miséria humana e sou muito feliz, e salve a contradição.

Felicidade depende basicamente de duas coisas: sorte e escolhas bem feitas.

Tem que ter a sorte de nascer numa família bacana, sorte de ter pais que incentivem a leitura e o esporte, sorte de eles poderem pagar os estudos pra você, sorte por ter saúde. Até aí, conta-se com a providência divina. O resto não é mais da conta do destino: depende das suas escolhas.

Os amigos que você faz, se optou por ser honesto ou ser malandro, se valoriza mais a grana do que a sua paz de espírito, se costuma correr atrás ou desistir dos seus projetos, se nas suas relações afetivas você prioriza a beleza ou as afinidades, se reconhece os momentos de dividir e de silenciar, se sabe a hora de trocar de emprego, se sai do país ou fica, se perdoa seu pai ou preserva a mágoa pro resto da vida, esse tipo de coisa.

A gente é a soma das nossas decisões, todo mundo sabe. Tem gente que é infeliz porque tem um câncer. E outros são infelizes porque cultivam uma preguiça existencial. Os que têm câncer não têm sorte. Mas os outros, sim, têm a sorte de optar. E estes só continuam infelizes se assim escolherem.

sábado, 18 de junho de 2011

Momento de reflexão

Só hoje me dei conta do quanto tem me faltado palavras. Logo eu uma jornalista metida a escritora ou roteirista, como a maioria de nós. Tenho refletido muito, falado aos borbotões, mas nada q realmente faça sentido para estar aqui, postado para toda a eternidade. Tenho me contentado com meus pensamentos, com a análise dos meus passos. No passado,escrevia, escrevia, escrevia...
Hoje é tudo diferente. O mundo muda, a vida muda, a gente muda. Graças a Deus. Chega um momento em que é preciso ser adulto: parar, olhar em volta e pensar o futuro. Refletir sobre o que está no entorno. Tenho medo do que possa ou do que não possa acontecer. E isso dói...
Eu sei, porém, q só pedra fica parada. Avançar muitas vezes me assusta - ainda que eu saiba da necessidade. "Apesar de", como diria Clarice Lispector.
Todos os dias, acordo e revisito meus sentimentos. Rezo e me ponho de pé. Estar de pé, aliás, é uma vitória para poucos. Eu entendo. Não tô preparada para a dor, ninguém está. Mas saber o que quero é um ponto a meu favor: eu quero viver. Sim, éuma pena,masé verdade. Muitas vezes os dois se confundem...
Enfim, embarco nesta aventura diária que é buscar a paz e a felicidade.

Viva, Paul!

E hoje, no dia do niver do meu irmão querido, aproveito tb para enviar um pouco da minha energia a outro feliz aniversariante: Paul McCartney. Mais 69 anos de vida (pelo menos) a este grande cara, o beatle que fez uma ode à perseverança. Viva, Paul!

Let It Be

When I find myself in times of trouble
Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom
Let it be

And in my hour of darkness
She is standing right in front of me
Speaking words of wisdom
Let it be...

Let it be, let it be
Let it be, let it be
Whisper words of wisdom... Let it be...

And when the broken hearted people
Living in the world agree
There will be an answer
Let it be

For though they may be parted
there is still a chance that they will see
There will be an answer
Let it be...

Let it be, let it be
Let it be, let it be
There will be an answer...Let it be...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Vale a pena ler

Minha amiga Renatinha Victal é dono de um blog bastante interessante. Eu sou sua leitora assídua, mesmo nas épocas em que seu texto está mais ácido. Adoro.
São sacadas interessantes, histórias q chamam a atenção, piadas que entram para a história. Nesta semana, replico aqui a coluna do Ivan Martins que ela, tão atentamente, publicou em seu blog após ler em Época.
Para mim, vale muito a pena ler.

O monstro da separação
Antes de escrever esta coluna eu prometi a mim mesmo que veria Blue Valentine, lançado no Brasil com o título besta de Namorados para sempre. Prometi, mas não fiz. Tudo o que li sugere que o filme é um retrato demasiadamente fiel de dois momentos cruciais da relação amorosa, o começo jubiloso e o fim horrendo. Quem viu o filme diz que dói. Eu, que assim como vocês já tive a minha cota de separações, e ainda mais, ainda não reuni coragem para me ver em cena. E talvez não reúna.
Mesmo de longe, Blue Valentine me fez lembrar do monstro que aparece quando as relações começam a acabar. Ele se manifesta por insultos e violência verbal, no início. Indiferença e sarcasmo, depois. É preciso ter atravessado um túnel desses para perceber que as brigas, ainda que assustadoras, representam uma tentativa de aproximação. Elas são o derradeiro gesto de carinho. Os gritos parecem uma forma exasperada de perguntar, afinal, o que aconteceu com o amor que havia aqui? A indiferença entra em cena quando ninguém mais está interessado na resposta.
De um jeito ou de outro, o monstro está lá.
Se ele grita e quebra pratos, ou cala, ainda é ele, cascudo e áspero por fora, uma bola sangrenta e dolorosa por dentro. O monstro da separação se parece imensamente com a pessoa que a gente amava, mas, ao contrário dela, parece ter vindo ao mundo com a missão explícita de nos fazer sofrer, de forma cruel e variada. A pior delas é a confusão. Às vezes, o monstro sorri de uma maneira tão parecida ao antigo objeto do nosso amor que é impossível não se derreter por ele. Mas, um segundo depois, o monstro faz um comentário gelado que deixa clara a sua natureza de réptil. Nossos sentimentos oscilam como pêndulo entre um momento e outro, e a vida parece não ser mais do que um poço escuro repleto de indecisão.
Muitos dirão que eu exagero – e é verdade. Mas o fato é que nunca vivi uma separação inteiramente civilizada. Temo que elas não existam. Na minha experiência, em algum momento o monstro sempre dá as caras. Mesmo nas relações mais doces ele aparece – ainda que seja no finalzinho, ou depois.
Lembro de me separar de uma mulher tão querida, com quem eu tinha uma relação de tanto carinho, que nos era impossível brigar de verdade. Quando ela se punha a berrar comigo eu achava a cena cômica, e ria. Mesmo assim teve barraco, semanas depois da separação. Eu soube que ela estava saindo com um sujeito qualquer e achei que tinha o direito de receber esclarecimentos. Liguei, cobrei e ela – com toda razão – disse que aquilo não era da minha conta e mandou que eu me catasse. Foi aí que o monstro pegou o telefone do meu lado e entrou na conversa. Lembro perfeitamente de algumas coisas que ele disse, e da frieza torpe com que disse, mas tenho vergonha de reproduzir. Do lado de lá, claro, apareceu outro monstro, de cílios postiços e batom vermelho, que gritou ao telefone coisas terríveis, tiradas do baú do ressentimento. Não foi nada bom.
Uma das características mais surpreendentes do monstro da separação é que gente nem imagina quando ele veio ao mundo. Lembramos perfeitamente do dia, da hora e talvez mesmo do exato segundo em que o amor começou. Ou, pelo menos, da sensação de estar diante da possibilidade do amor. Mas temos uma dificuldade enorme em perceber o momento em que a casa começa a cair. Exceto nos romances e nos filmes, que tentam explicar o inexplicável, ninguém acumula pistas para esse tipo de desfecho. Ninguém diz, por exemplo: aquela manhã, quando eu comentei que iria voltar tarde para casa, e ela sequer me ouviu, percebi que as coisas estavam acabando. Ou então: trocamos um olhar no meio da festa e, repentinamente, ficou claro que a cumplicidade que houvera entre nós havia desaparecido.
Na vida real não é assim. Pela boa razão de que não queremos que seja. A maioria de nós gosta de ser parte de um casal, de um projeto, de um todo. Gostamos de ser amados e de amar. Assim, não nos interessa ficar espreitando o futuro na borra do café de todos os dias. Tocamos o barco, como se diz. Seguimos adiante, otimistas até prova em contrário. Quando a gente se dá conta, o mal-estar já está batendo nas coxas, como uma água suja e fria. Esse é o ambiente em que os monstros vicejam.
É evidente que ninguém chega a isso de uma hora para outra. Monstros não se improvisam. Nem se manifestam em relações que não tiveram tempo de engendrá-los. Não adianta namorar superficialmente por três meses e esperar por um sáurio escamoso de três metros na despedida. Ela não vai aparecer. Monstros são filhos bastardos da paixão e do comprometimento. São alimentados, paradoxalmente, por desejo, admiração e compromisso. Além de tempo, claro. Gente que não é capaz de amar nunca vai ter seu monstro. Pode ver o dos outros, daqueles que são capazes de amar sozinhos, mas esses não são realmente assustadores. Os monstros que nos metem medo têm as feições e os gestos das pessoas que nós amamos. Ou as nossas.
Dito isso, se eu fosse dirigir um filme de amor, tentaria evitar esse trecho final, como o cinema antigo fazia nas cenas de sexo. Depois do beijo, descia a cortina. Quem não sabia o que vinha depois não tinha idade para isso e não deveria realmente ver. Quem já sabia não precisava de explicações tão diretas. O voyerismo erótico e emocional – esse que nos dá o direito de espiar até os últimos detalhes da vida dos outros, real ou imaginária – é uma invenção relativamente recente. Se eu fosse dirigir um filme de amor, portanto, apelaria para o pudor. E acho que seria um sucesso. Aposto que o mundo está cheio de gente como eu, cansada de ver de perto o monstro da separação.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

E como bem disse Oswaldo Montenegro...

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mais do mesmo

É tanta coisa para falar que o silêncio é a melhor saída. Os sentimentos me atropelam, um vendaval de sensações que há muito não sinto. Desaprendi.
Tanta coisa para fazer e eu aqui assistindo impassível. Tanto sonho para sonhar, tanta dúvida para dividir, tanto mundo para rodar. E eu aqui. Não tenho forças.
Eu sei. Tenho que rever meus conceitos, reaver antigos hábitos, praticar a vida. Ou é isso ou é isso. Sim, já fiz este caminho. Eu o conheço como poucos. A escuridão sufoca, os vultos se multiplicam. Não há descanso.
Pensei sinceramente que eu seria a escolhida. Pensei que a dor nunca mais me visitaria. Pelo menos não esta dor. Tola. Lá estava ela, à espreita. Só me esperando na curva. Eu não vi. Minha miopia regrediu há seis anos, meu amor tomou o lugar dela. O amor cega.
Não quero nada além de serenidade. Só isso e já estarei feliz.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Perfeito?

Eu confesso que fiquei extasiada ao acordar no início desta semana tendo Antonio Banderas fazendo os ovos do café da manhã. Tudo bem, tudo bem, não era na minha casa. Mas era quase... O cara com aquela pinta de "latin lover", cheio de amor para dar, cozinhou no programa da Ana Maria, justamente com quem tomo o meu breakfast todos os dias. É justo, então, que eu ache que os ovos eram para mim. Depois, teve uma paella a la Banderas. Ou seja, comecei bem o dia...
Mas mais do que isso fiquei pasma ao ler a nota publicada no Gente Boa de ontem sobre a pessoa que personifica o "Zorro". Segundo uma brasileira que agora faz parte do staff do astro, "Banderas tem atitude de homem, roupa de homem, sapato de homem, é a virilidade em pessoa e tem aquele olhar 43 que te come com os olhos. Usa calça justa, sem parece er sertanejo, sapato sem meia e crucifixo enorme no peito, que nele ficam bons. É educadíssimo e, fazer o quê?, fala da mulher o tempo inteiro".
Este homem é perfeito, gente?

terça-feira, 24 de maio de 2011

Um beatle no subúrbio

Roubei descaradamente a ideia de um coleguinha e carimbei o título deste post. Sim, ele me disse q faria um documentário sobre o tema e eu, que já tinha pensado sobre a história, resolvi me apoderar pelo menos do título dele tamanho o inusitado disso tudo. Sim, eu vi... Eu assisti Paul McCartney no Engenhão. Mais do que isso: um beatle, uma lenda do rock, um ser iluminado que mudou a música mundial a poucos metros da minha casa. Era demais para não ir lá conferir... isso tudo além do poder bélico musicista do cara que aí é até sacanagem comentar.
E foi lindo...
Lindo...
Juntei-me ao meu amor e alguns amigos - dá-lhe, Guarim! - e me embrenhei no meio daquela confusão que se formava nos arredores. Ingresso caro, é vero, mas válido. O show foi perfeito, o repertório recheado de canções conhecidas, uma energia que balançava o estádio, uma vibração que vinha daquele "sir" que só Deus sabe... O cara é o cara! Diversão, emoção, beleza.
A surpresa quando tocou a bondiana "Live and let Die" eu deixo para aqueles que não assistiram (e devem ir!). Quem viver verá. De babar. Cantei aos berros várias canções e assisti uma profusão de gerações que brotava por todos os lados do Engenhão. As lágrimas insistiam em vir à tona e eu permiti que elas rolassem quando ouvi "Let It Be". Não havi amais o que fazer diante daquele hino à vida.
Saí de alma lavada. Andando a pé, de volta à minha casa simples do suburbão. Yes, nós temos Paul McCartney. É, Felipe, vc tem razão: esta história de unir a elite à Zona Norte, pilotada por um cara deste quilate, rende documentário.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cães na Zooropa



Nesta ida a Zooropa, constatei o qto cada vez mais os cães são encarados como boas companhias. Incrível a quantidade de amigos de quatro patas q vi nesta viagem. Detalhe: nas lojas, shoppings, mercados... em qq lugar. Prova de q as pessoas se conscientizam aos poucos da importância deles. Cheguei a fotografá-los em alguns cantos por onde estivemos, coisa q pode ser constatada no blog irmão deste q vos fala www.bomparacachorroeoutrosbichos.blogspot.com.br . Lá, vcs vão conhecer inclusive uma duplinha bastante simpática apaixonada por sorvete. Conhecemos os dois na Fontana de Trevi, em Roma.
Detalhe curioso: vi alguns que se apresentavam como artistas de rua. O truque? Ficarem parados como estátuas vivas. Muiiiito interessante...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Viajar...


Estou de volta. Com toda a bagagem adquirida no último mês, confesso que me sinto outra. Meu cunhado já tinha me avisado que nossa visão de mundo muda a partir de uma viagem para fora do país - é a mais pura verdade. Vc passa a ter termos de comparação. Muito diferente de só conhecê-los pelos livros, telas e bate-papos.
Além disso, renovei sentimentos. Alguns ainda permanecem aqui dentro como antes - imutáveis. Outros se transformaram profundamente. Na semana passada, a primeira depois do retorno, ainda me sentia confusa, misturada, meio barro, meio tijolo. Nesta semana, acordei. Amanheci nova. Literalmente. Se isso tem a ver com hormônios, eu não sei. Mas me basta pensar, sentir, acreditar que me sinto mais amadurecida. Quero poder usar este conhecimento a meu favor...
É um admirável mundo novo. Velho, mas novo. Não só conhecer outro país, mas viver outras sensações, ter outros sentimentos, lançar um olhar infantil sobre tudo. Tô feliz. Entro realmente num momento diferente. Tive medo, confesso. Tive pavor do q poderia acontecer na minha cabeça, mas esta semana tô mais tranquila. Tomei posse do mim mesma. Renovada e com os pés no chão.
Já comecei inclusive a pensar numa nova viagem. E nem poderia ser diferente. Conhecer o Coliseu foi impressionante: um mix de incredulidade, com certeza da loucura do ser humano, arrebatador. A torre de Pisa parecia ser só um brinquedo, que se tornou realidade em frente aos meus olhos incrédulos. Chegar à Torre Eiffel foi encantador, uma espécie de quebra de paradigmas. O monumento que antes só habitava meus livros, de repente estava ali, tão perto, habitando o meu dia. Passei horas deitada sob ela, contemplando minha nova realidade. Bobagem? Isso pq vc não sabe de onde estou vindo...
Também iniciei o processo de pôr em prática outros antigos sonhos. Coisa de menina, coisa de mulher. Já que realizei um, não deve ser tão difícil realizar os outros. Mágica produzida num período de 20 dias. Vi tanta gente, conheci tanta coisa que nunca imaginei, comparei tantas verdades que me sinto mais fortalecida.
Viajar me deu asas. E neste vôo que eu vou. Meu destino é aquele horizonte logo ali.
Aguardem as próximas notícias.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

"Uma viagem"


Voltar de férias é um choque. Voltar de férias depois de 20 dias na Europa, então, é inconcebível. Estou meio barata tonta, saca? Há tanto para se dizer dos dias em que passei fora que acho q meus dedos não seriam capazes de digitar com a rapidez do meu pensamento. Amei tudo.
As cidades são lindas - uma a uma. Tenho minhas opiniões, mas é claro q tudo é muito pessoal. Meu parceiro querido e cantor favorito, por exemplo, meu companheiro de sempre (q é claro q estava nesta aventura comigo) não gostou de Veneza. Vc acha impossível? Não, não é. Cada um tem um gosto, cada um tem uma personalidade, cada um busca algo em suas viagens.
Para mim, Roma é história, megalômana, pungente. Florença é alegre, viva, quase adolescente. Pisa é uma delícia em apenas um quarteirão e Siena é cenário de filme medieval. Já Veneza... ah, é romântica, é o "suspirar"... Em todas, não comi a melhor comida, como esperava. A expectativa era tão forte q chega a frustrar, né? Porém, o que mais me surpreendeu foi o povo italiano. Fui bem tratada em raras situações.
Já Paris... é a metrópole sonho. É a cidade que dá certo, bonita, iluminada, cheia de cantinhos memoráveis, cheia de gente alto astral. Voltaria milhares de vezes sem me cansar. Ali, andamos quilômetros e conhecemos o q deu e não deu para um turista de primeira viagem.
A torre foi de tirar o fôlego, arrebatadora, imensa, quase uma velha conhecida q finalmente vemos pessoalmente. O Louvre é encantador, misterioso, dono de uma imponência sem igual.
Enfim, palavras de uma apaixonada. Dizer mais o quê?? Voltei, mas ainda estou lá. Meu corpo pegou quase 24 horas (contando fuso) de retorno ao Brasil, mas minha cabeça ainda está lá. Sim, foi uma grande viagem. "Uma viagem".

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Francesa? eu?

Consegui hj o maximo a q podia chegar perto de uma francesa legitima. Logo eu vindo de Cqxias... Gastei meu frances com muitos "merci", bebi agua da bica, conheci toda a cidade e... comecei a precisar de um novo desodorante.

sábado, 30 de abril de 2011

Ser querida

Dé, to apaixonada por isso aqui. A comida é melhor, as pessoas sao mais gentis. No Louvre, tinha até mapa em portugues. Voltei a me sentir uma turista querida......

Banho?

Cheguei a conclusao definitiva de q os perfumes franceses realmente tem q ser insuperaveis. Poucos tomam banho por aqui.

Chegamos a Paris

Chegamos à Cidade Luz. Um frio duca q so hj melhorou. Meu cantor favorito aproveitou para tirar a bermuda da mala e eu esqueci a calça.
Ontem, fomos àa Torre Eiffel. A sensaçao foi de falta de ar... Incrivel.
Voltamos pelo Sena... andando.
estamos com os pés em frangalhos. Mas felizes.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

De um modo geral

Uma dica: providenciem hidratante (muito) quando vierem... Nossa pele tàa toda rachada.