(de Martha Medeiros)
Pessoas consideradas inteligentes dizem que a felicidade é uma idiotice, que pessoas felizes não se deprimem, não têm vida interior, não questionam nada, são uns bobos alegres, enfim, que a felicidade anestesia o cérebro.
Eu acho justamente o contrário: cultivar a infelicidade é que é uma burrice. O que não falta nessa vida é gente sofrendo pelos mais diversos motivos: ganham mal, não têm um amor, padecem de alguma doença, sei lá, cada um sabe o que lhe dói.
Todos trazem uns machucados de estimação, você e eu inclusive. No que me diz respeito, dedico a meus machucados um bom tempo de reflexão, mas não vou fechar a cara, entornar uma garrafa de uísque e me considerar uma grande intelectual só porque reflito sobre a miséria humana. Eu reflito sobre a miséria humana e sou muito feliz, e salve a contradição.
Felicidade depende basicamente de duas coisas: sorte e escolhas bem feitas.
Tem que ter a sorte de nascer numa família bacana, sorte de ter pais que incentivem a leitura e o esporte, sorte de eles poderem pagar os estudos pra você, sorte por ter saúde. Até aí, conta-se com a providência divina. O resto não é mais da conta do destino: depende das suas escolhas.
Os amigos que você faz, se optou por ser honesto ou ser malandro, se valoriza mais a grana do que a sua paz de espírito, se costuma correr atrás ou desistir dos seus projetos, se nas suas relações afetivas você prioriza a beleza ou as afinidades, se reconhece os momentos de dividir e de silenciar, se sabe a hora de trocar de emprego, se sai do país ou fica, se perdoa seu pai ou preserva a mágoa pro resto da vida, esse tipo de coisa.
A gente é a soma das nossas decisões, todo mundo sabe. Tem gente que é infeliz porque tem um câncer. E outros são infelizes porque cultivam uma preguiça existencial. Os que têm câncer não têm sorte. Mas os outros, sim, têm a sorte de optar. E estes só continuam infelizes se assim escolherem.
Uma jornalista, cabeça a mil. Vontade de debater o mundo que me rodeia, comentar o dia-a-dia, trocar ideias livremente. A busca por um espaço democrático onde pudesse exercer minha criatividade e mostrar minha visão da vida resultou em "Crônicas de Saias".
quinta-feira, 30 de junho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
Momento de reflexão
Só hoje me dei conta do quanto tem me faltado palavras. Logo eu uma jornalista metida a escritora ou roteirista, como a maioria de nós. Tenho refletido muito, falado aos borbotões, mas nada q realmente faça sentido para estar aqui, postado para toda a eternidade. Tenho me contentado com meus pensamentos, com a análise dos meus passos. No passado,escrevia, escrevia, escrevia...
Hoje é tudo diferente. O mundo muda, a vida muda, a gente muda. Graças a Deus. Chega um momento em que é preciso ser adulto: parar, olhar em volta e pensar o futuro. Refletir sobre o que está no entorno. Tenho medo do que possa ou do que não possa acontecer. E isso dói...
Eu sei, porém, q só pedra fica parada. Avançar muitas vezes me assusta - ainda que eu saiba da necessidade. "Apesar de", como diria Clarice Lispector.
Todos os dias, acordo e revisito meus sentimentos. Rezo e me ponho de pé. Estar de pé, aliás, é uma vitória para poucos. Eu entendo. Não tô preparada para a dor, ninguém está. Mas saber o que quero é um ponto a meu favor: eu quero viver. Sim, éuma pena,masé verdade. Muitas vezes os dois se confundem...
Enfim, embarco nesta aventura diária que é buscar a paz e a felicidade.
Hoje é tudo diferente. O mundo muda, a vida muda, a gente muda. Graças a Deus. Chega um momento em que é preciso ser adulto: parar, olhar em volta e pensar o futuro. Refletir sobre o que está no entorno. Tenho medo do que possa ou do que não possa acontecer. E isso dói...
Eu sei, porém, q só pedra fica parada. Avançar muitas vezes me assusta - ainda que eu saiba da necessidade. "Apesar de", como diria Clarice Lispector.
Todos os dias, acordo e revisito meus sentimentos. Rezo e me ponho de pé. Estar de pé, aliás, é uma vitória para poucos. Eu entendo. Não tô preparada para a dor, ninguém está. Mas saber o que quero é um ponto a meu favor: eu quero viver. Sim, éuma pena,masé verdade. Muitas vezes os dois se confundem...
Enfim, embarco nesta aventura diária que é buscar a paz e a felicidade.
Viva, Paul!
E hoje, no dia do niver do meu irmão querido, aproveito tb para enviar um pouco da minha energia a outro feliz aniversariante: Paul McCartney. Mais 69 anos de vida (pelo menos) a este grande cara, o beatle que fez uma ode à perseverança. Viva, Paul!Let It Be
When I find myself in times of trouble
Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom
Let it be
And in my hour of darkness
She is standing right in front of me
Speaking words of wisdom
Let it be...
Let it be, let it be
Let it be, let it be
Whisper words of wisdom... Let it be...
And when the broken hearted people
Living in the world agree
There will be an answer
Let it be
For though they may be parted
there is still a chance that they will see
There will be an answer
Let it be...
Let it be, let it be
Let it be, let it be
There will be an answer...Let it be...
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Vale a pena ler
Minha amiga Renatinha Victal é dono de um blog bastante interessante. Eu sou sua leitora assídua, mesmo nas épocas em que seu texto está mais ácido. Adoro.
São sacadas interessantes, histórias q chamam a atenção, piadas que entram para a história. Nesta semana, replico aqui a coluna do Ivan Martins que ela, tão atentamente, publicou em seu blog após ler em Época.
Para mim, vale muito a pena ler.
O monstro da separação
Antes de escrever esta coluna eu prometi a mim mesmo que veria Blue Valentine, lançado no Brasil com o título besta de Namorados para sempre. Prometi, mas não fiz. Tudo o que li sugere que o filme é um retrato demasiadamente fiel de dois momentos cruciais da relação amorosa, o começo jubiloso e o fim horrendo. Quem viu o filme diz que dói. Eu, que assim como vocês já tive a minha cota de separações, e ainda mais, ainda não reuni coragem para me ver em cena. E talvez não reúna.
Mesmo de longe, Blue Valentine me fez lembrar do monstro que aparece quando as relações começam a acabar. Ele se manifesta por insultos e violência verbal, no início. Indiferença e sarcasmo, depois. É preciso ter atravessado um túnel desses para perceber que as brigas, ainda que assustadoras, representam uma tentativa de aproximação. Elas são o derradeiro gesto de carinho. Os gritos parecem uma forma exasperada de perguntar, afinal, o que aconteceu com o amor que havia aqui? A indiferença entra em cena quando ninguém mais está interessado na resposta.
De um jeito ou de outro, o monstro está lá.
Se ele grita e quebra pratos, ou cala, ainda é ele, cascudo e áspero por fora, uma bola sangrenta e dolorosa por dentro. O monstro da separação se parece imensamente com a pessoa que a gente amava, mas, ao contrário dela, parece ter vindo ao mundo com a missão explícita de nos fazer sofrer, de forma cruel e variada. A pior delas é a confusão. Às vezes, o monstro sorri de uma maneira tão parecida ao antigo objeto do nosso amor que é impossível não se derreter por ele. Mas, um segundo depois, o monstro faz um comentário gelado que deixa clara a sua natureza de réptil. Nossos sentimentos oscilam como pêndulo entre um momento e outro, e a vida parece não ser mais do que um poço escuro repleto de indecisão.
Muitos dirão que eu exagero – e é verdade. Mas o fato é que nunca vivi uma separação inteiramente civilizada. Temo que elas não existam. Na minha experiência, em algum momento o monstro sempre dá as caras. Mesmo nas relações mais doces ele aparece – ainda que seja no finalzinho, ou depois.
Lembro de me separar de uma mulher tão querida, com quem eu tinha uma relação de tanto carinho, que nos era impossível brigar de verdade. Quando ela se punha a berrar comigo eu achava a cena cômica, e ria. Mesmo assim teve barraco, semanas depois da separação. Eu soube que ela estava saindo com um sujeito qualquer e achei que tinha o direito de receber esclarecimentos. Liguei, cobrei e ela – com toda razão – disse que aquilo não era da minha conta e mandou que eu me catasse. Foi aí que o monstro pegou o telefone do meu lado e entrou na conversa. Lembro perfeitamente de algumas coisas que ele disse, e da frieza torpe com que disse, mas tenho vergonha de reproduzir. Do lado de lá, claro, apareceu outro monstro, de cílios postiços e batom vermelho, que gritou ao telefone coisas terríveis, tiradas do baú do ressentimento. Não foi nada bom.
Uma das características mais surpreendentes do monstro da separação é que gente nem imagina quando ele veio ao mundo. Lembramos perfeitamente do dia, da hora e talvez mesmo do exato segundo em que o amor começou. Ou, pelo menos, da sensação de estar diante da possibilidade do amor. Mas temos uma dificuldade enorme em perceber o momento em que a casa começa a cair. Exceto nos romances e nos filmes, que tentam explicar o inexplicável, ninguém acumula pistas para esse tipo de desfecho. Ninguém diz, por exemplo: aquela manhã, quando eu comentei que iria voltar tarde para casa, e ela sequer me ouviu, percebi que as coisas estavam acabando. Ou então: trocamos um olhar no meio da festa e, repentinamente, ficou claro que a cumplicidade que houvera entre nós havia desaparecido.
Na vida real não é assim. Pela boa razão de que não queremos que seja. A maioria de nós gosta de ser parte de um casal, de um projeto, de um todo. Gostamos de ser amados e de amar. Assim, não nos interessa ficar espreitando o futuro na borra do café de todos os dias. Tocamos o barco, como se diz. Seguimos adiante, otimistas até prova em contrário. Quando a gente se dá conta, o mal-estar já está batendo nas coxas, como uma água suja e fria. Esse é o ambiente em que os monstros vicejam.
É evidente que ninguém chega a isso de uma hora para outra. Monstros não se improvisam. Nem se manifestam em relações que não tiveram tempo de engendrá-los. Não adianta namorar superficialmente por três meses e esperar por um sáurio escamoso de três metros na despedida. Ela não vai aparecer. Monstros são filhos bastardos da paixão e do comprometimento. São alimentados, paradoxalmente, por desejo, admiração e compromisso. Além de tempo, claro. Gente que não é capaz de amar nunca vai ter seu monstro. Pode ver o dos outros, daqueles que são capazes de amar sozinhos, mas esses não são realmente assustadores. Os monstros que nos metem medo têm as feições e os gestos das pessoas que nós amamos. Ou as nossas.
Dito isso, se eu fosse dirigir um filme de amor, tentaria evitar esse trecho final, como o cinema antigo fazia nas cenas de sexo. Depois do beijo, descia a cortina. Quem não sabia o que vinha depois não tinha idade para isso e não deveria realmente ver. Quem já sabia não precisava de explicações tão diretas. O voyerismo erótico e emocional – esse que nos dá o direito de espiar até os últimos detalhes da vida dos outros, real ou imaginária – é uma invenção relativamente recente. Se eu fosse dirigir um filme de amor, portanto, apelaria para o pudor. E acho que seria um sucesso. Aposto que o mundo está cheio de gente como eu, cansada de ver de perto o monstro da separação.
São sacadas interessantes, histórias q chamam a atenção, piadas que entram para a história. Nesta semana, replico aqui a coluna do Ivan Martins que ela, tão atentamente, publicou em seu blog após ler em Época.
Para mim, vale muito a pena ler.
O monstro da separação
Antes de escrever esta coluna eu prometi a mim mesmo que veria Blue Valentine, lançado no Brasil com o título besta de Namorados para sempre. Prometi, mas não fiz. Tudo o que li sugere que o filme é um retrato demasiadamente fiel de dois momentos cruciais da relação amorosa, o começo jubiloso e o fim horrendo. Quem viu o filme diz que dói. Eu, que assim como vocês já tive a minha cota de separações, e ainda mais, ainda não reuni coragem para me ver em cena. E talvez não reúna.
Mesmo de longe, Blue Valentine me fez lembrar do monstro que aparece quando as relações começam a acabar. Ele se manifesta por insultos e violência verbal, no início. Indiferença e sarcasmo, depois. É preciso ter atravessado um túnel desses para perceber que as brigas, ainda que assustadoras, representam uma tentativa de aproximação. Elas são o derradeiro gesto de carinho. Os gritos parecem uma forma exasperada de perguntar, afinal, o que aconteceu com o amor que havia aqui? A indiferença entra em cena quando ninguém mais está interessado na resposta.
De um jeito ou de outro, o monstro está lá.
Se ele grita e quebra pratos, ou cala, ainda é ele, cascudo e áspero por fora, uma bola sangrenta e dolorosa por dentro. O monstro da separação se parece imensamente com a pessoa que a gente amava, mas, ao contrário dela, parece ter vindo ao mundo com a missão explícita de nos fazer sofrer, de forma cruel e variada. A pior delas é a confusão. Às vezes, o monstro sorri de uma maneira tão parecida ao antigo objeto do nosso amor que é impossível não se derreter por ele. Mas, um segundo depois, o monstro faz um comentário gelado que deixa clara a sua natureza de réptil. Nossos sentimentos oscilam como pêndulo entre um momento e outro, e a vida parece não ser mais do que um poço escuro repleto de indecisão.
Muitos dirão que eu exagero – e é verdade. Mas o fato é que nunca vivi uma separação inteiramente civilizada. Temo que elas não existam. Na minha experiência, em algum momento o monstro sempre dá as caras. Mesmo nas relações mais doces ele aparece – ainda que seja no finalzinho, ou depois.
Lembro de me separar de uma mulher tão querida, com quem eu tinha uma relação de tanto carinho, que nos era impossível brigar de verdade. Quando ela se punha a berrar comigo eu achava a cena cômica, e ria. Mesmo assim teve barraco, semanas depois da separação. Eu soube que ela estava saindo com um sujeito qualquer e achei que tinha o direito de receber esclarecimentos. Liguei, cobrei e ela – com toda razão – disse que aquilo não era da minha conta e mandou que eu me catasse. Foi aí que o monstro pegou o telefone do meu lado e entrou na conversa. Lembro perfeitamente de algumas coisas que ele disse, e da frieza torpe com que disse, mas tenho vergonha de reproduzir. Do lado de lá, claro, apareceu outro monstro, de cílios postiços e batom vermelho, que gritou ao telefone coisas terríveis, tiradas do baú do ressentimento. Não foi nada bom.
Uma das características mais surpreendentes do monstro da separação é que gente nem imagina quando ele veio ao mundo. Lembramos perfeitamente do dia, da hora e talvez mesmo do exato segundo em que o amor começou. Ou, pelo menos, da sensação de estar diante da possibilidade do amor. Mas temos uma dificuldade enorme em perceber o momento em que a casa começa a cair. Exceto nos romances e nos filmes, que tentam explicar o inexplicável, ninguém acumula pistas para esse tipo de desfecho. Ninguém diz, por exemplo: aquela manhã, quando eu comentei que iria voltar tarde para casa, e ela sequer me ouviu, percebi que as coisas estavam acabando. Ou então: trocamos um olhar no meio da festa e, repentinamente, ficou claro que a cumplicidade que houvera entre nós havia desaparecido.
Na vida real não é assim. Pela boa razão de que não queremos que seja. A maioria de nós gosta de ser parte de um casal, de um projeto, de um todo. Gostamos de ser amados e de amar. Assim, não nos interessa ficar espreitando o futuro na borra do café de todos os dias. Tocamos o barco, como se diz. Seguimos adiante, otimistas até prova em contrário. Quando a gente se dá conta, o mal-estar já está batendo nas coxas, como uma água suja e fria. Esse é o ambiente em que os monstros vicejam.
É evidente que ninguém chega a isso de uma hora para outra. Monstros não se improvisam. Nem se manifestam em relações que não tiveram tempo de engendrá-los. Não adianta namorar superficialmente por três meses e esperar por um sáurio escamoso de três metros na despedida. Ela não vai aparecer. Monstros são filhos bastardos da paixão e do comprometimento. São alimentados, paradoxalmente, por desejo, admiração e compromisso. Além de tempo, claro. Gente que não é capaz de amar nunca vai ter seu monstro. Pode ver o dos outros, daqueles que são capazes de amar sozinhos, mas esses não são realmente assustadores. Os monstros que nos metem medo têm as feições e os gestos das pessoas que nós amamos. Ou as nossas.
Dito isso, se eu fosse dirigir um filme de amor, tentaria evitar esse trecho final, como o cinema antigo fazia nas cenas de sexo. Depois do beijo, descia a cortina. Quem não sabia o que vinha depois não tinha idade para isso e não deveria realmente ver. Quem já sabia não precisava de explicações tão diretas. O voyerismo erótico e emocional – esse que nos dá o direito de espiar até os últimos detalhes da vida dos outros, real ou imaginária – é uma invenção relativamente recente. Se eu fosse dirigir um filme de amor, portanto, apelaria para o pudor. E acho que seria um sucesso. Aposto que o mundo está cheio de gente como eu, cansada de ver de perto o monstro da separação.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
E como bem disse Oswaldo Montenegro...
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também...
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também...
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Mais do mesmo
É tanta coisa para falar que o silêncio é a melhor saída. Os sentimentos me atropelam, um vendaval de sensações que há muito não sinto. Desaprendi.
Tanta coisa para fazer e eu aqui assistindo impassível. Tanto sonho para sonhar, tanta dúvida para dividir, tanto mundo para rodar. E eu aqui. Não tenho forças.
Eu sei. Tenho que rever meus conceitos, reaver antigos hábitos, praticar a vida. Ou é isso ou é isso. Sim, já fiz este caminho. Eu o conheço como poucos. A escuridão sufoca, os vultos se multiplicam. Não há descanso.
Pensei sinceramente que eu seria a escolhida. Pensei que a dor nunca mais me visitaria. Pelo menos não esta dor. Tola. Lá estava ela, à espreita. Só me esperando na curva. Eu não vi. Minha miopia regrediu há seis anos, meu amor tomou o lugar dela. O amor cega.
Não quero nada além de serenidade. Só isso e já estarei feliz.
Tanta coisa para fazer e eu aqui assistindo impassível. Tanto sonho para sonhar, tanta dúvida para dividir, tanto mundo para rodar. E eu aqui. Não tenho forças.
Eu sei. Tenho que rever meus conceitos, reaver antigos hábitos, praticar a vida. Ou é isso ou é isso. Sim, já fiz este caminho. Eu o conheço como poucos. A escuridão sufoca, os vultos se multiplicam. Não há descanso.
Pensei sinceramente que eu seria a escolhida. Pensei que a dor nunca mais me visitaria. Pelo menos não esta dor. Tola. Lá estava ela, à espreita. Só me esperando na curva. Eu não vi. Minha miopia regrediu há seis anos, meu amor tomou o lugar dela. O amor cega.
Não quero nada além de serenidade. Só isso e já estarei feliz.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Perfeito?
Eu confesso que fiquei extasiada ao acordar no início desta semana tendo Antonio Banderas fazendo os ovos do café da manhã. Tudo bem, tudo bem, não era na minha casa. Mas era quase... O cara com aquela pinta de "latin lover", cheio de amor para dar, cozinhou no programa da Ana Maria, justamente com quem tomo o meu breakfast todos os dias. É justo, então, que eu ache que os ovos eram para mim. Depois, teve uma paella a la Banderas. Ou seja, comecei bem o dia...Mas mais do que isso fiquei pasma ao ler a nota publicada no Gente Boa de ontem sobre a pessoa que personifica o "Zorro". Segundo uma brasileira que agora faz parte do staff do astro, "Banderas tem atitude de homem, roupa de homem, sapato de homem, é a virilidade em pessoa e tem aquele olhar 43 que te come com os olhos. Usa calça justa, sem parece er sertanejo, sapato sem meia e crucifixo enorme no peito, que nele ficam bons. É educadíssimo e, fazer o quê?, fala da mulher o tempo inteiro".
Este homem é perfeito, gente?
terça-feira, 24 de maio de 2011
Um beatle no subúrbio
Roubei descaradamente a ideia de um coleguinha e carimbei o título deste post. Sim, ele me disse q faria um documentário sobre o tema e eu, que já tinha pensado sobre a história, resolvi me apoderar pelo menos do título dele tamanho o inusitado disso tudo. Sim, eu vi... Eu assisti Paul McCartney no Engenhão. Mais do que isso: um beatle, uma lenda do rock, um ser iluminado que mudou a música mundial a poucos metros da minha casa. Era demais para não ir lá conferir... isso tudo além do poder bélico musicista do cara que aí é até sacanagem comentar.E foi lindo...
Lindo...
Juntei-me ao meu amor e alguns amigos - dá-lhe, Guarim! - e me embrenhei no meio daquela confusão que se formava nos arredores. Ingresso caro, é vero, mas válido. O show foi perfeito, o repertório recheado de canções conhecidas, uma energia que balançava o estádio, uma vibração que vinha daquele "sir" que só Deus sabe... O cara é o cara! Diversão, emoção, beleza.
A surpresa quando tocou a bondiana "Live and let Die" eu deixo para aqueles que não assistiram (e devem ir!). Quem viver verá. De babar. Cantei aos berros várias canções e assisti uma profusão de gerações que brotava por todos os lados do Engenhão. As lágrimas insistiam em vir à tona e eu permiti que elas rolassem quando ouvi "Let It Be". Não havi amais o que fazer diante daquele hino à vida.
Saí de alma lavada. Andando a pé, de volta à minha casa simples do suburbão. Yes, nós temos Paul McCartney. É, Felipe, vc tem razão: esta história de unir a elite à Zona Norte, pilotada por um cara deste quilate, rende documentário.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Cães na Zooropa
Nesta ida a Zooropa, constatei o qto cada vez mais os cães são encarados como boas companhias. Incrível a quantidade de amigos de quatro patas q vi nesta viagem. Detalhe: nas lojas, shoppings, mercados... em qq lugar. Prova de q as pessoas se conscientizam aos poucos da importância deles. Cheguei a fotografá-los em alguns cantos por onde estivemos, coisa q pode ser constatada no blog irmão deste q vos fala www.bomparacachorroeoutrosbichos.blogspot.com.br . Lá, vcs vão conhecer inclusive uma duplinha bastante simpática apaixonada por sorvete. Conhecemos os dois na Fontana de Trevi, em Roma.
Detalhe curioso: vi alguns que se apresentavam como artistas de rua. O truque? Ficarem parados como estátuas vivas. Muiiiito interessante...
terça-feira, 17 de maio de 2011
Viajar...

Estou de volta. Com toda a bagagem adquirida no último mês, confesso que me sinto outra. Meu cunhado já tinha me avisado que nossa visão de mundo muda a partir de uma viagem para fora do país - é a mais pura verdade. Vc passa a ter termos de comparação. Muito diferente de só conhecê-los pelos livros, telas e bate-papos.
Além disso, renovei sentimentos. Alguns ainda permanecem aqui dentro como antes - imutáveis. Outros se transformaram profundamente. Na semana passada, a primeira depois do retorno, ainda me sentia confusa, misturada, meio barro, meio tijolo. Nesta semana, acordei. Amanheci nova. Literalmente. Se isso tem a ver com hormônios, eu não sei. Mas me basta pensar, sentir, acreditar que me sinto mais amadurecida. Quero poder usar este conhecimento a meu favor...
É um admirável mundo novo. Velho, mas novo. Não só conhecer outro país, mas viver outras sensações, ter outros sentimentos, lançar um olhar infantil sobre tudo. Tô feliz. Entro realmente num momento diferente. Tive medo, confesso. Tive pavor do q poderia acontecer na minha cabeça, mas esta semana tô mais tranquila. Tomei posse do mim mesma. Renovada e com os pés no chão.
Já comecei inclusive a pensar numa nova viagem. E nem poderia ser diferente. Conhecer o Coliseu foi impressionante: um mix de incredulidade, com certeza da loucura do ser humano, arrebatador. A torre de Pisa parecia ser só um brinquedo, que se tornou realidade em frente aos meus olhos incrédulos. Chegar à Torre Eiffel foi encantador, uma espécie de quebra de paradigmas. O monumento que antes só habitava meus livros, de repente estava ali, tão perto, habitando o meu dia. Passei horas deitada sob ela, contemplando minha nova realidade. Bobagem? Isso pq vc não sabe de onde estou vindo...
Também iniciei o processo de pôr em prática outros antigos sonhos. Coisa de menina, coisa de mulher. Já que realizei um, não deve ser tão difícil realizar os outros. Mágica produzida num período de 20 dias. Vi tanta gente, conheci tanta coisa que nunca imaginei, comparei tantas verdades que me sinto mais fortalecida.
Viajar me deu asas. E neste vôo que eu vou. Meu destino é aquele horizonte logo ali.
Aguardem as próximas notícias.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
"Uma viagem"

Voltar de férias é um choque. Voltar de férias depois de 20 dias na Europa, então, é inconcebível. Estou meio barata tonta, saca? Há tanto para se dizer dos dias em que passei fora que acho q meus dedos não seriam capazes de digitar com a rapidez do meu pensamento. Amei tudo.
As cidades são lindas - uma a uma. Tenho minhas opiniões, mas é claro q tudo é muito pessoal. Meu parceiro querido e cantor favorito, por exemplo, meu companheiro de sempre (q é claro q estava nesta aventura comigo) não gostou de Veneza. Vc acha impossível? Não, não é. Cada um tem um gosto, cada um tem uma personalidade, cada um busca algo em suas viagens.
Para mim, Roma é história, megalômana, pungente. Florença é alegre, viva, quase adolescente. Pisa é uma delícia em apenas um quarteirão e Siena é cenário de filme medieval. Já Veneza... ah, é romântica, é o "suspirar"... Em todas, não comi a melhor comida, como esperava. A expectativa era tão forte q chega a frustrar, né? Porém, o que mais me surpreendeu foi o povo italiano. Fui bem tratada em raras situações.
Já Paris... é a metrópole sonho. É a cidade que dá certo, bonita, iluminada, cheia de cantinhos memoráveis, cheia de gente alto astral. Voltaria milhares de vezes sem me cansar. Ali, andamos quilômetros e conhecemos o q deu e não deu para um turista de primeira viagem.
A torre foi de tirar o fôlego, arrebatadora, imensa, quase uma velha conhecida q finalmente vemos pessoalmente. O Louvre é encantador, misterioso, dono de uma imponência sem igual.
Enfim, palavras de uma apaixonada. Dizer mais o quê?? Voltei, mas ainda estou lá. Meu corpo pegou quase 24 horas (contando fuso) de retorno ao Brasil, mas minha cabeça ainda está lá. Sim, foi uma grande viagem. "Uma viagem".
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Francesa? eu?
Consegui hj o maximo a q podia chegar perto de uma francesa legitima. Logo eu vindo de Cqxias... Gastei meu frances com muitos "merci", bebi agua da bica, conheci toda a cidade e... comecei a precisar de um novo desodorante.
sábado, 30 de abril de 2011
Ser querida
Dé, to apaixonada por isso aqui. A comida é melhor, as pessoas sao mais gentis. No Louvre, tinha até mapa em portugues. Voltei a me sentir uma turista querida......
Banho?
Cheguei a conclusao definitiva de q os perfumes franceses realmente tem q ser insuperaveis. Poucos tomam banho por aqui.
Chegamos a Paris
Chegamos à Cidade Luz. Um frio duca q so hj melhorou. Meu cantor favorito aproveitou para tirar a bermuda da mala e eu esqueci a calça.
Ontem, fomos àa Torre Eiffel. A sensaçao foi de falta de ar... Incrivel.
Voltamos pelo Sena... andando.
estamos com os pés em frangalhos. Mas felizes.
Ontem, fomos àa Torre Eiffel. A sensaçao foi de falta de ar... Incrivel.
Voltamos pelo Sena... andando.
estamos com os pés em frangalhos. Mas felizes.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
De um modo geral
Uma dica: providenciem hidratante (muito) quando vierem... Nossa pele tàa toda rachada.
Florença e Veneza
Florença è um sonho. Ameiiiiiiiii...
Viva, alegre, pulsante.
Nossa localizaçao foi tudo o q queriamos. Perto das compras.
Piza e Siena.
cada um com seu charme, seu diferencial. Valem muito a pena.
Jà Veneza... è coisa de cinema... e mais nào digo.
Beira a perfeiçao.
O que mata?
Os iatlianos, Se vc acha o brasileiro um pocinho bunda... vc nàao conhece a Itàalia.
O pais seria perfeito se nàao fossem eles...
Viva, alegre, pulsante.
Nossa localizaçao foi tudo o q queriamos. Perto das compras.
Piza e Siena.
cada um com seu charme, seu diferencial. Valem muito a pena.
Jà Veneza... è coisa de cinema... e mais nào digo.
Beira a perfeiçao.
O que mata?
Os iatlianos, Se vc acha o brasileiro um pocinho bunda... vc nàao conhece a Itàalia.
O pais seria perfeito se nàao fossem eles...
sexta-feira, 22 de abril de 2011
A noite italiana
Conhecemos Trastevere, q è uma Lapa sensacional. Melhorada, eu diria. E ontem fizemos nossa primeira refeiçào tipica italiana. Uma garrafa de vinho da casa, uma lasagna e duas pizzas. Pessoas esfomeadas alimentadas a pào e vinho por quatro dias fazem isso... Delicioso. Estamos finalmente batizados.
Sobre a Itàlia
Nào somos bem recebidos como turistas. Acho q sò um egipcio e um cara vindo de Bangladesh gostaram de nòs. Confesso q tentei falar inglès, depois espanhol, depois usei umas palavras em italiano q aprendi no dicionàario. Brasileiro quer sempre agradar, mas... optei mesmo pelo meu portugues. Os italianos nàao gostaram de nòs. Eu sei q a Dè e o Marà jà tinham comentado isso, mas pensei q pudesse ser pessoal. Rsrsr...
Brincadeira, amigos. Os caras sào bem antipàaticos mesmo.
Mais duas ou très coisas sobre o pais:
- Tudo è grandiosos, como Nero sempre quis.
- Quem vem pode optar mesmo por comprar os tickets direto nas estaçòes. Nenhum problema com o Roma Pass, mas a diferença è pequena. A nàao ser q vc ande muito mais que um camelo, q foi o q fizemos.
- Optem pelo supermercado. Coisa de turista durango. Fiquei pasma. Estàa suspirando e pensando no Carrefour proximo àa sua casa? Ledo engano. Aqui eles vendem tudoooooo... Camaroes em salmoura, polvo a vinagrete, mil tipos de parma, saladas diversas. Tudo delicioso. E a 2 ou 3 euros. Vale ou nào a pena?
- Tragam chinelos, sim, pois na hora de ir para o cafè de manhàa ninguèm aguenta mais tenis e sapatos.
Brincadeira, amigos. Os caras sào bem antipàaticos mesmo.
Mais duas ou très coisas sobre o pais:
- Tudo è grandiosos, como Nero sempre quis.
- Quem vem pode optar mesmo por comprar os tickets direto nas estaçòes. Nenhum problema com o Roma Pass, mas a diferença è pequena. A nàao ser q vc ande muito mais que um camelo, q foi o q fizemos.
- Optem pelo supermercado. Coisa de turista durango. Fiquei pasma. Estàa suspirando e pensando no Carrefour proximo àa sua casa? Ledo engano. Aqui eles vendem tudoooooo... Camaroes em salmoura, polvo a vinagrete, mil tipos de parma, saladas diversas. Tudo delicioso. E a 2 ou 3 euros. Vale ou nào a pena?
- Tragam chinelos, sim, pois na hora de ir para o cafè de manhàa ninguèm aguenta mais tenis e sapatos.
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